terça-feira, 7 de outubro de 2008

compre baton, compre baton

Dias desses estava vendo um documentário sobre o marketing dirigido às crianças. Confesso que fiquei um tanto horrorizada. Tenho tentado olhar a maternidade sob uma perspectiva positiva, mas tá difícil! Grosseiramente falando, tudo começa com a nova família burguesa, século XIX? Um núcleo familiar bem pequeno, com poucos filhos, dela deriva a nossa família de classe média. Ao avançar do século XX esta família coloca a criança como o centro do seu micro-universo. O argumento padrão dos pais é praticamente irrefutável: faço tudo para fazer meu filho feliz, no sub texto, compro de tudo para fazer meu filho feliz. No final dos XX este nicho explodiu, as indústrias aí viram uma ótima oportunidade para ganhar dinheiro, aaah, dinheiro!!! Algumas pesquisas estimam que 70% das compras são feitas por influência das crianças, e não é só besteira como bolacha e danone, elas influenciam na escolha do carro, imóvel, viagem. Estas crianças são estudadas detalhadamente para as empresas saberem como chegar a elas, e o mais importante, ajudam as crianças a convencerem os pais a comprar. Nos EUA, veja só, já tem movimentos anti-consumo para tentar conscientizar e impedir que haja tanta propaganda direcionada às crianças. Até agora todo esse marketing tem funcionado muito bem, e isso me fez pensar se os pais sucumbem aos desejos de consumo dos filhos para diminuir a frustração pessoal de não terem tido uma infância cheia de mercadorias, e se vingam nos filhos da infância que não tiveram, sem se perguntar se isso faz bem ou mal para a saúde mental da criança; ou se funciona como uma compensação para a falta de tempo (ou interesse) em educar seus filhos de maneira adequada, já que é muito mais difícil ensinar valores e muito mais fácil abrir a carteira para acabar logo com a chateação dos filhos pedindo mercadorias. Por outro lado, percebi no documentário que os desejos de consumo das crianças de 8-12 anos (a faixa etária mais visada pela propaganda) são parecidos com dos adultos, com aparelhos eletrônicos, roupas, spa, entre outras desnecessidades. As crianças querem imitar os adultos no consumo, estes, por sua vez, se infantilizam mais e mais, como essa adolescência que nunca termina, e desse modo, ambos se igualam. Aos pais falta capacidade e maturidade para dizer não aos filhos, porque não conseguem fazer isto nem consigo próprios, e às crianças só resta continuar como reféns das tranqueiras que vêem na TV.

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