segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

quibe cru

Tenho uma leve suspeita sobre minha personalidade: tenho tendência a comportamentos obsessivos. Mas uma obsessão pelo trivial (assim como um personagem do Christopher Walken, no SNL, de um médium trivial, que só conseguia prever acontecimentos insignificantes). Minha mais nova idéia fixa é um moedor de carne (!). E daqueles manuais, nada de coisas elétricas, ou modernas... pra quê? Tudo começou com a emoção de comer um simples quibe cru, carne limpinha, sem um fiapo de gordura. Só poderia conseguir algo assim com meu próprio moedor de carne, assim eu mesma limparia a peça, e moeria sem nada de gordura pelo caminho (não que eu tenha essas "preocupações" secundárias com colesterol, excesso de peso, nada disso, o gosto da gordura é ruim mesmo). Meu universo da carne moída se expandiu com as possibilidades low fat, almôndegas, hamburger, recheio de esfiha, panqueca, pimentão, kafta... até não agüentar mais carne moída! O passo seguinte do meu devaneio foi procurar um moedor de carnes, e para minha surpresa, nos sites onde tinha para vender estava esgotado. Será que tem mais gente alucinada como eu ou parou de vender por falta de compradores? O último recurso foi o Amazon e a visão do paraíso, centenas de moedores para escolher! Se o comportamento obsessivo se mantiver até março, meu moedor chegará.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

frescura precede civilização

Faz alguns meses que releio vagarosamente O Processo Civilizador, do Norbert Elias. A primeira vez foi na faculdade, quando tracei um paralelo com Sobrados & Mocambos, mas a professora não achou tão interessante, e eu achei que ela não leu Gilberto Freyre como deveria. Incompetências do funcionalismo público à parte, estou adorando esta releitura "sem compromisso". Tudo começou a partir do conceito de sociogênese, no qual "nenhum ser humano chega civilizado ao mundo e que o processo civilizador individual que ele obrigatoriamente sofre é uma função do processo civilizador social". Basicamente, todos nossos hábitos à mesa, de falar, e do comportamento social sofreram mudanças visíveis desde o final da Idade Média até a emergência dos Estados absolutistas. Na corte todos vivem muito próximos, e as boas maneiras à mesa, p.e., não são frutos de noções de higiene, e sim de decoro, "délicatesse", que quando não cumpridos geram embaraço para si e para os demais. Cita o exemplo da sopa, em que era servida numa única sopeira e havia uma única colher, compartilhada por todos os comensais. Individualizar o consumo da sopa não surgiu por ser mais higiênico, e sim porque era mais delicado, não afetaria a suscetibilidade dos demais em serem obrigados a usar a mesma colher. Sim, devemos à frescura medidas sanitárias importantes, primeiro o fútil emerge, depois dá-se um verniz de racionalidade para a frescura. Até mudei de opinião sobre talheres para peixe, eu acho.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

pornografia gospel

Deu no Terra. Um site que aborda a sexualidade do ponto de vista evangélico, porém, sem nenhuma agremiação específica. Dei uma olhada superficial no site, deu para perceber que eles se preocupam bastante com pornografia veiculada na internet, talvez um sinal de que os evangélicos consomem muita pornografia virtual, afinal, com tanta informação sobre o assunto! Enfim, seja católico ou evangélico, a forma recalcada e a preocupação exagerada com a sexualidade dos fiéis é a mesma. Felizmente não sou cristã (e nem pratico outra religião), nunca fui obrigada a freqüentar igreja por meus pais "católicos não-praticantes" (que diabo é isso? é como dizer que sou vegetariana não-praticante), exceto aborrecidas cerimônias de casamento e batismo. Porém, sempre me pergunto: se deus fez o homem (e depois usou uma sobra dele para fazer a mulher), então por que fez o seu corpo sentir tanto prazer com o sexo? Pra ficar recalcado depois? Com cara de tia velha virgem na missa? A filosofia já resolveu o problema da separação mente e corpo, mas parece que a religião ocidental ainda não sabe o que fazer com a genitália... é phoda! Mas phoda só depois do casamento.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

horror!


Foram achados, em Ferraz de Vasconcelos, os quadros furtados do Masp. A Suzanne Bloch está com mais cara de nojo do que nunca. Dá pra entender... levada para Ferraz de Vasconcelos, coitadinha!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

drummond

Para você ganhar um belíssimo Ano Novo
Cor de arco-íris ou cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com o tempo já vivido
(ou mal vivido ou talvez nem sentido).
Para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior),
novo, espontâneo,
que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha
ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens,
não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta
não precisa chorar de arrependimento
pelas besteiras consumadas
nem provavelmente acreditar que,
por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa, justiça
entre os seres humanos e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que merecerá este nome,
você tem que merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo.

Eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente,
consciente.

É dentro de você
que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

(receita de ano novo, drummond)