segunda-feira, 28 de abril de 2008
É um circo. Como o Big Brother acabou e as novelas atuais não são exatamente interessantes, a macacada precisava de uma história para acompanhar e comentar. Já virou até objeto de pesquisa quantitativa: 98,2% sabem sobre a morte daquela garota, mas não sabem da morte das 3999 crianças assassinadas pelos pais todos os anos no país. Como eu queria fazer parte do 1,2% que nunca ouviram falar na história! Tenho nojo da micareta feita na porta da delegacia, ou na porta da casa das pessoas envolvidas, me causa repulsa a forma como os meios de comunicação vêm tratando o caso, não se pode ligar a TV, entrar num site de notícias ou comprar um jornal sem ser vomitado na cara com minúcias, trivialidades e achismos sobre o caso. Pior ainda é o povão que acompanha tudo como se fosse o último capítulo da novela. Como disseram, a pobretada não sabe nem distinguir ator de personagem, vai conseguir discernir suspeito de assassino. Como último registro, na mídia televisiva é difícil escolher o pior, mas com certeza quem me causa ojeriza só de ouvir a voz é o Percival de Souza, da Record, ele comenta o caso como quem comenta uma partida de futebol: o juiz aplicou muito bem o cartão amarelo; pode ser traduzido no "percivalês" como: o delegado tem conduzido o inquérito com muito discernimento. É a mesma entonação, se prestar atenção só no tom de voz, sem ouvir as palavras, pode-se muito pensar que se trata de futebol e não de infanticídio. No fim das contas, pro povão e pra mídia é a mesma coisa. Sorte que até o julgamento, daqui alguns anos, essa história será vagamente lembrada.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
da infelicidade alheia
Parece que tem gente que não se limita a ser infeliz sozinha, precisa mostrar, escancarar para o mundo o quandto sua vida é uma bosta, o quanto ela se odeia. Não vejo outra explicação. É óbvio, todo mundo às vezes têm problemas (a maioria a gente inventa para ter o quê pensar), e até por isso pode ser desagradável com os outros, mesmo sem querer, ou sem pensar. Mas tem gente que faz questão de ser desagradável, fazer cara feia (o que eu chamo de cara de cólica), e gosta de ostentar isso para o maior número de pessoas possível. O que era para ser um pequeno momento de convívio com pessoas queridas, vira um momento aborrecido pela presença de uma pessoa nada querida que fez o que pôde para ser desprezível ainda mais pouquinho. Bom, não é da minha natureza sentir pena das pessoas (acho um sentimento horroroso), e definitivamente a infelicidade e amargura da referida criatura não é digna de comiseração, aliás, não estou nada interessada nos motivos de seu desgosto com o mundo, mas eu penso e não consigo entender: por que encher o saco das pessoas? Por que chamar a atenção para o que há de pior? Será que ainda não entendeu que as pessoas não estão a fim de olhar para sua cara de bosta? Ainda bem que exceções existem, porque é muito verdadeira a frase: se cunhado fosse bom, não começava com cu.
quinta-feira, 24 de abril de 2008
adega

Não existe mulher feia, existe mulher pobre. Esta frase perde todo o efeito com esta criatura. Ingenuamente achava que celebridades com o pé na cova estavam fora de moda...
Notícia do Ego.

quarta-feira, 23 de abril de 2008
uga-uga
Outro dia me peguei pensando: aplausos é uma coisa bem estúpida. Primeiro porque um aplauso nunca é individual, uma única pessoa batendo palmas é patético, constrangedor, especialmente quando está no meio de várias pessoas, o pensamento coletivo é: quem é esse idiota? Aplausos servem para externar aprovação, entusiasmo, para ovacionar uma pessoa, um espetáculo, etc. Eu ainda acho constrangedor aplaudir algo ou alguém, mesmo no meio da multidão eu me sinto como aquele idiota que bate palmas sozinho. Não sei, me parece um gesto simiesco, primitivo, só falta gritar uga-uga enquanto bate-se uma palma da mão contra a outra para produzir ruído. Felizmente ninguém mais bate palmas para mim, não tenho certeza, mas acho que a última vez foi quando apresentei um trabalho na faculdade, aliás, sempre odiei isso, este ruído de mãos era único sinal vital da platéia, se eles não se agitassem dessa forma, acreditaria que estavam em coma com a minha fala (provavelmente estavam). Outra situação embaraçosa é quando as pessoas cantam parabéns pra você, e batem palmas, deve ter uns dez anos que ninguém canta no meu aniversário, o que é ótimo. Enfim, minha saída para situações em que preciso aplaudir, é bater palmas em modo silencioso, faço o gesto e evito ruído. Melhor assim.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
reprodução consciente
A idéia de ter um filho sempre me pareceu assustadora, muitas dúvidas, será que vou saber cuidar, educar, dar bons exemplos, boa formação moral/cultural? Será que tenho energia para passar 20 anos cuidando de alguém? A idéia de alguém depender de mim assusta. E pensar em filhos só como bebês me parece superficial, diante do que vem depois, cuidar de bebês é relativamente fácil, alimentar, manter limpo, seco e aquecido. Só que felizmente são bebês por pouco tempo, logo já aprendem a sair do lugar sozinhos e a se comunicar, aí tudo complica. A época mais interessante de uma criança, eu considero entre 2 e 3 anos, antes disso são sem graça e depois ficam chatos. Eu sempre tive esta visão pouco "emocionante" da maternidade. Ultimamente tenho pensado em rever este conceito, mudar de perspectiva, me acostumar com a idéia de que não é tão ruim assim e ver como me sinto com a nova idéia. Ainda me parece assustador, penso que se me arrepender não tem como devolver ou trocar por filhotes de gato. Por outro lado, todos os milhares de questionamentos que tenho podem ser um indicativo que caso opte por tê-lo (no singular mesmo, mais que um é fora de questão) não serei uma mãe tão irresponsável como todas aquelas que se reproduzem por acidente e sem critério e que no melhor dos casos plantam frustrados e carentes no mundo.
quinta-feira, 10 de abril de 2008
calma, Betty, calma
Tá lá no meu perfil, talvez o mais sincero já escrito: colecionadora de conhecimentos inúteis, às vezes me espanto com a quantidade acumulada, frustrada pela sua falta de aplicação prática e um tanto desapontada com o que ainda falta para conhecer.. muito, muito mesmo! No fim da contas isso é o que me dá algum sentido na vida, o que me faz ser autônoma. Então, finda a introdução, existem leituras que considero obrigatórias para entender qualquer mundo (aquelas que explicam o mundo atual ainda não são muito boas, é verdade). Minha leitura foi no sentido de conhecer o feminismo da década de 60 (conhecer e não necessariamente entender). Chama-se "A Mística Feminina", da Betty Friedan, datado de 1963. Depois soube que o livro foi produto do seu doutorado em psicologia. O objeto de estudo são as mulheres americanas da década de 50, brancas, de classe média e moradoras de subúrbios confortáveis. Segundo a Betty, todas sofrem de um "mal" sem nome, que se caracteriza como fadiga física e mental, dificuldades de concentração e administração do tempo entre as tarefas. Este mal sem nome se deve à sua condição de esposa-mãe-dona-de-casa. Muitas casaram adolescentes, outras abandonaram o universidade para se casar, e a maioria tem muitos filhos. Consequentemente isto causou uma irrealização pessoal e falta de perspectivas de futuro, além da ausência de uma identidade. Ela alega que muitas são capazes e inteligentes, mas estão desperdiçando seus talentos com tarefas que não exigem qualificação, que qualquer "jovem debilóide" pode realizar. Por outro lado esta "mística feminina" foi arquitetada e planejada para trazer de volta e manter a mulher no lar. Neste ponto do livro começa o desfile de culpados, o primeiro deles é o Freud, que afirmava "anatomia é destino", isto significa que o destino feminino é a reprodução, a mulher é um sub-produto humano, inferior e infantil pela própria natureza. Sobra também para o capitalismo, que diabolicamente mantém a mulher no lar porque ela é a principal consumidora, faz compras para toda a família e precisa comprar sempre mais, absorvendo tudo o que a indústria produz e a propaganda vende. Sem falar de uma ideologia predominante, transcendente, que paira sobre o EUA como uma nuvem, incutindo na mulher o desejo de ficar no lar, cuja única fonte de realização é a maternidade, ensina-lhe que ser feminina é ser passiva e delicada, submissa, e que educação demais masculiniza, principalmente na área de ciências exatas. Esta ideologia surgiu no pós-guerra, os homens estavam assustados demais com a guerra, a bomba atômica e queriam um pouco de sossego, uma vida tranqüila e previsível e fazia parte do plano mandar as mulheres de volta ao lar. Pois na décadas de 20 e 30 havia emancipação feminina, ela atuava no mercado de trabalho recolhendo os cacos da primeira guerra e da depressão de 29, ela dançava charleston, usava cabelo curto, sua roupa era curta e não mais marcarva a cintura, sinais externos de liberdade (a moda era bem graciosa nos anos 20). Magicamente todas sucumbiram à mística, vestiram seus aventais e foram preparar jantar, são insatisfeitas sexualmente, criam filhos inseguros e dependentes (reflexos seus), ou se tornaram mulheres tirânicas gritando o dia todo com os filhos e marido, muita viram alcóolatras. Este quadro é explicado pela falta de realização pessoal, que não se desenvolve à plena capacidade de um ser humano, apesar de muitas terem inteligência acima da média. A solução? A mulher trabalhar fora de casa. Mas não qualquer trabalho, diz a Betty, não aquele que paga as contas ou acrescenta no orçamento familiar, mesmo que seja pouco interessante. Ela quer o trabalho que agrega valor real à sociedade, que transborda o espírito humano de talento, capacidade, realização, que decida os rumos da sociedade. Quem não quer?
*Minhas considerações: A Betty me parece contraditória e ingênua (ela também já foi acusada de elitista e fazia parte da vertente radical do feminismo, daquelas que queimava sutiãs). Por um lado ela apregoa tanto a capacidade e inteligência da mulher, mas ao mesmo tempo a coloca como vítima dos supra-citados algozes, ela é capaz de ingressar nas ciências mas é facilmente manipulada para comprar o sabão em pó que lhe querem vender. Como é isso? A Betty acha que existem talentos desperdiçados, de fato, porém, é como se houvesse centenas de Leonardos da Vinci encerando o chão da cozinha. Poucos seres humanos vivem plenamente seu potencial criativo, intelectual (poucos na História da humanidade), muitos nem têm o que oferecer. O mundo do trabalho capitalista é o da alienação, são muito poucos os trabalhos realmente interessantes, enriquecedores da sociedade, a maioria é mais do mesmo, monótono, maçante, repetitivo, que demanda pouco esforço mental, como lavar a louça.
Meu palpite é que o feminismo é um pêndulo, ora emancipa, ora retrai a mulher, talvez explicado pelo próprio trabalho capitalista (já que a questão principal gira em torno do trabalho), que não sabe o que fazer e nem consegue absorver o contingente de mão-de-obra disponível. Assim como a categoria "adolescente" foi construída para manter os jovens longe do mercado, a mulher oscila entre saídas e entradas neste mercado; como já se tornou visível um tímido movimento de volta ao lar, muitas vezes por mulheres que não encontram colocação. O que é uma mera questão econômica, se torna uma grande e inútil guerra dos sexos.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
sai pra lá, sai pra lá
Eu tenho uma relação olfativa com o mundo, e gosto disso. Não sei se meu olfato é mais apurado e sensível que a média das pessoas, fato é que às vezes consigo distinguir e decompor alguns cheiros. Por causa disso, eu tenho um verdadeiro horror a perfumes, desodorantes, loções e qualquer outra coisa que se usa para mascarar o tal "cheiro de corpo", vulgo CC. Não que eu goste de sentir odores humanos por aí, é que o cheiro destes produtos é uma agressão ao meu olfato, o nariz coça, tenho vontade de espirrar, meu lado agressivo ameaça aflorar... Por que usar perfume? Por quê? Nada que água, sabão e roupa limpa não resolvam! Tem um monte de antitranspirante sem perfume no mercado. Se a intenção é a conquista, os ferormônios estão aí pra isso mesmo, e o perfume só mascara o odor característico de cada pessoa. Só para ter uma idéia do meu repúdio ao perfume, certa vez estava no zoológico, e o cheiro de fezes vindo da jaula do leão era mais tolerável que o perfume de uma mulher que estava no grupo de visitação. Falei do meu lado agressivo, ele ameaça aflorar quando estou no shopping e tem algum lançamento de perfume, e a vendedora vem com aquele papelzinho com a fragância em cima (tenho gana de fazer a pessoa engolir o papel). Queria ser como o Silvio Santos, que tem rinite alérgica e proíbe todas as pessoas que trabalham para ele de usar perfumes. Ôôeee!!
quinta-feira, 3 de abril de 2008
no time for losers
Uma das falácias do mundo moderno é a frase, "não tenho tempo". Desde que o tempo se tornou mercadoria, se tornou também escasso. À primeira vista, a mão-de-obra é vendida do mercado de trabalho, mas não, o que se vende é o tempo. Estudei na cartilha do Marx direitinho (mas tenho horror a marxistas), e o excedente de tempo, ou a mais-valia é que faz a graça e o lucro do empregador. O sujeito trabalha tantas horas para pagar seu salário, entretanto, sua carga horária é superior ao tempo de produção que paga o salário, o excedente de produção e dinheiro, logo, é do empregador. Aí deu-se que ninguém tem tempo pra nada. Eu tenho muito tempo, tanto tempo que posso escrever este texto. Sempre que ouço alguém me dizer que não tem tempo, eu completo a frase mentalmente " pra você". Eu não tenho tempo... pra você, meu bem! Se houvesse esta escassez de tempo, as pessoas não veriam tanto novela, Big Brother (como tanta gente perdeu tanto tempo assistindo e falando deste programa). Minha psicologia barata me permite dizer que se sentir sem tempo é o que dá a falsa sensação de que o indivíduo tem uma vida ocupada, faz coisas importantes, é extremamente atarefado e requisitado, quando na realidade sua vida é tão vazia e sem sentido quando a de uma bactéria. Uma coisa é fato, o mercado de lazer não cresce tanto à toa, se houvesse tantas pessoas "sem tempo" o entretenimento deixaria de existir, a venda de televisores não seria tão lucrativa. Quando alguém lhe disser que não tem tempo, pergunte sobre a novela, ou algum outro produto de entretenimento de massa, os conhecimentos da pessoa sobre o tema são surpreendentes e enriquecedores.

