quarta-feira, 30 de julho de 2008

desculpe, foi engano

Não sei exatamente a quem pertencia meu novo número de telefone, fato é que ligam muito por engano. No mesmo dia queriam falam com o responsável pelo jazigo do sr. Romildo (acho que era isso) e depois pela loja Fada, a gorda elegante. Justo eu, que não gosto de atender telefone e muito menos falar com humanos desconhecidos. Talvez um identificador de chamadas seja útil. Fiquei curiosa pela loja de tamanhos grandes, tudo bem, eu aposentei há tempos o manequim 38, mas acho que nessa loja as roupas também não vão caber, é que esse nome chamou atenção, fiquei imaginando a Mama Brusquetta vestida de fada...

quarta-feira, 16 de julho de 2008

as desventuras de saber o final de um livro

Quando era mais jovem - e mais ansiosa - não sabia ler um livro sem correr para a última página e dar uma espiada no que tinha acontecido. Muitas vezes não entendia o final, e sabia que precisava chegar à última página do modo correto. Felizmente mudei este hábito, e agora fujo das últimas páginas, talvez um sinal de que estou aprendendo a esperar, e que as coisas têm seu ritmo próprio para acontecer. Minha leitura atual é Dom Quixote, cismei com este livro e achei uma vergonha para mim até hoje não ter lido (quem lê pensa que sou uma sexagenária!). Comprei os livros e estou na metade do segundo. O início dele não me empolgou muito, mas agora já estou na fase de devorar as páginas. Eis que procurando alguma informação extra sobre o Cervantes, encontrei um site que fazia um resumo do livro, correndo os olhos pelas linhas... punf! Li o final do primeiro livro, e o motivo da sua continuação. Fiquei arrasada! Um dos motivos para a leitura me interessar foi saber se o Dom Quixote chegaria vivo ao final das 500 páginas, pois ele apanhava tanto! Bom, o que me consola é ainda descobrir como vai acontecer o que eu li como o desfecho da história, e sigo adiante.

terça-feira, 15 de julho de 2008

onde estão os verdadeiros zumbis?

Na verdade não sou de me incomodar com as coisas. Violência, corrupção, barbárie, nova musa do funk, alta das taxas de juros... Entretanto estes dias me peguei incomodada com o estado atual das coisas. Me senti sufocada, sem saber para onde correr, e com a sensação de que não há para onde correr. Se o cotidiano esmaga qualquer espírito criativo, qualquer vontade de fazer algo diferente, é exatamente dentro da cabeça que temos a maior liberdade de criar, de pensar coisas absurdas e hediondas, ter pelo menos a posse da idéia de que lá é onde mora a verdadeira liberdade. Não, não é assim. Eu vejo uma multidão de pessoas sonâmbulas, anestesiadas. Qualquer zumbi ou vampiro tem mais vontade de viver do que as pessoas que eu avisto nas ruas. Todas andando de um lado para outro como se não tivessem vida; seus carros, seus celulares têm mais viço que elas. Isso se reflete na cultura: nada de novo, e muito menos de bom é criado, nada, nenhuma escola literária, filosófica, artística, nenhuma proposta política interessante. Tudo que surge é de uma qualidade lastimável, o que só piora tudo. Não dá nem para chamar de tédio, pois no tédio pode-se contemplar uma bela vida mental. Adoraria pensar que esta paralisia cultural e intelectual é transitória, como se este século fosse de uma "idade média" cultural, mas infelizmente as coisas têm que piorar muito ainda, antes de melhorar. Eu espero.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

amigo é coisa pra se guardar...

É comum ouvir falar que a gente conhece os amigos de verdade nos momentos difíceis, quando todo mundo vai embora e só ficam para ajudar aqueles que realmente gostam da gente. Acho que não é bem assim, ou não é só isso. Amigo de verdade, amigo mesmo, é aquele que sabe sentir-se sinceramente feliz com o sucesso do outro. Principalmente quando o outro conseguiu algo que o amigo sempre quis. Ser solidário nos fracassos é até fácil, faz bem para o ego de quem ajuda, é como realizar uma boa ação, poucas coisas massageiam tanto o ego como o altruísmo. Agora, ser solidário no sucesso, na felicidade, nas realizações dos amigos, requer uma grande dose de auto-confiança, porque driblar a própria e tão humana inveja não é tarefa fácil. É preciso gostar do outro tanto quanto de si mesmo para ficar tão feliz com a felicidade alheia, como ficaria com a própria. Assim como têm pais que sabem cuidar melhor dos filhos na doença do que na saúde, existem amigos que são melhores quando estamos no fundo do poço e de quem é melhor se afastar quando estamos muito felizes.