segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Não sei bem o que ocorre, as mulheres falam tanto em liberdade, igualdade e fraternidade, mas ainda cultivam uma obsessão pelo casamento como nos séculos passados. Conheço algumas pessoas, e já ouvi um punhado de histórias, em que por mais que a vida esteja engrenada, o casamento é a questão central. Outras organizam a vida e colocam o matrimônio como a principal meta, do tipo, "nossa, já tenho 25 anos e preciso me casar urgentemente!". Falam em casamento como se fosse o check up com o cardiologista. E não é casar com alguém que seja realmente especial, que se encaixe nessa bobagem romântica do matrimônio ser a conseqüência natural de pessoas que querem compartilhar a vida. Não, se casam com qualquer um, mesmo que seja aquele namorado xexelento com quem já não há nada em comum, exceto brigas; ou por ser burra o bastante para acreditar em príncipe encantado, amor perfeito, alma gêmea e outras coisas que só fazem sentido em novelas da tarde. Aí algumas conseguem "chegar lá", no altar, geralmente engravidando, e outra vez invertem a ordem das coisas, o filho não é mais uma conseqüência de uma união feliz, é meramente um meio para conquistar o seu objetivo, o status de "mulher casada". E ainda dão a desculpa risível de que a gravidez aconteceu por acaso... Uma vez casadas, elas olham para as outras mulheres solteiras como pobre coitadas, umas largadas, sem homem, sem eira nem beira. Os homens nisso tudo são meros acessórios, como uma bolsa, ou um sapato desconfortável, servem para pagar as contas excessivas, agüentar o mau humor crônico sob a égide da TPM, consertar a torneira, serem chamados de inúteis e difamados como ruins de cama e de pau pequeno nas conversas de banheiro. Aí o cronômetro corre, passam dez, vinte anos nessa vidinha de "mulher casada", estampam frustração na cara, disfarçada com muito botox, ácido retinóico, tudo pago por aquele idiota com quem elas casaram e que hoje não possui mais nenhum vestígio de personalidade própria. Estes são aqueles casais de meia idade que a gente encontra no supermercado, na mesa do lado no restaurante, que a gente não tem certeza se estão vivos mesmo, ou se são apenas uma carcaça falante. E hoje vejo como a história inicia, uma mulher burra e desesperada, encontra um homem apático e inseguro e se juntam, resultam na esmagadora maioria dos casamentos atuais, de pessoas vivas e quase-mortas.
sábado, 27 de setembro de 2008
felinidade
Um post perdido, provavelmente escrito em junho. Do tempo em que ainda achava que o Giló viria morar comigo. Agora escrevo com meus bebês no colo, que estão se recuperando muito bem da castração e eu ainda tenho medo de fazê-los engolir o comprimido, mas depois de uma semana fazendo isso, ou eu estarei treinada ou eles já aprenderão formas de não engolir o remédio. Já o Giló, voltou à obesidade e tem uma vida tranqüila, como sempre, só que agora ele gosta de "conversar" com minha mãe nas suas madrugadas insones (as dele, claro).
Mês passado, meu gato fez aniversário. Ele já é um gato senhorzinho que come ração vitalidade +7. Para homenageá-lo, fiz uma lista bobinha das nove coisas que aprendi com ele, nestes 9 anos de convivência:
+ Não levar as pessoas a sério, elas não merecem.
+ Viver entediado e com sono é muito melhor que estar sempre estressado e preocupado com coisas sem importância.
+ Em cada pequeno detalhe pode estar escondido uma aventura, bastar ter um olhar atento.
+ Banho de sol todas as manhãs melhora muito o humor.
+ Liberdade de ser quem você é. Isso vai aproximar as pessoas que te amam, e afastar os idiotas que não te compreendem.
+ Quando quiser carinho de alguém, dê para receber.
+ Às vezes, se esconder é a melhor forma de evitar aborrecimentos.
+ Quando precisar de algo, peça ajuda. Nem sempre pode-se fazer tudo sozinho.
+ Ser muito cuidadoso na hora de fazer amizades, as pessoas são craques em desapontar as outras.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
pobre paulista
Em 1979 eu nascia em São Paulo, desde então, sempre morei nesta cidade. No começo não via nada de estranho aqui, apesar de achar muito legal quando visitava sítios de parentes, o espaço todo para andar, brincar, a quantidade de área verde, pé de laranja, pé de manga, como nasciam abacaxis... isto me dava a dimensão de que era realmente uma caipira da capital. Com o tempo esta sensação de caipirice foi tomando a forma de um estranhamento pela cidade, até se transformar na atual ojeriza que tenho pela vida na "cidade grande". Sempre que saio de casa, tenho quase certeza de que a principal forma de vida é a automotiva, não existe vida inteligente dentro do carro, ele controla o motorista. Vejo os prédios todos lacrados por janelas e penso que se tratam de grandes túmulos, não pode haver ninguém vivo lá dentro, como é possível viver sem ar e sem luz? Quando ando nas ruas tenho a sensação de que estou no making of de "another brick in the wall", com aquelas crianças sem rosto. Nas ruas as pessoas quase não têm rosto, parece que elas não estão vivas, sim, elas andam, respiram, mas não sentem, não têm expressão, no máximo são rostos tristes. A cidade é feia, suja, barulhenta, sufocante. Aqui não se pode nunca estar sozinho, aqui não se ouve o silêncio, sempre tem um cheiro de sujo, de podre, aqui cheira alguma coisa morta, um rio, um carro desregulado, uma alma. Aqui o céu nunca é azul, tem um teto de poluição sobre minha cabeça que deixa tudo cinzento e não deixa ver o horizonte. Talvez seja isso, o céu de São Paulo não me deixa ver o horizonte, parece que um dia ele vai me engolir ou me asfixiar (em todos os sentidos). Sou incompatível com a vida metropolitana, acho que aqui ninguém é. Simmel estava errado, pelo menos é o que prova os paulistanos, aqui também ninguém é blasé. Não pode haver uma cotidiana batida de carros, um corriqueiro atropelamento, ou uma previsível morte de motoqueiro que já enche a rua de pessoas para ver, todas as vezes que acontece, todos os dias. Depois caipira são os outros... Meu sonho é fugir de São Paulo, estar aqui só de passagem, viver em um lugar tranqüilo, onde posso escutar o barulho de um grilo, ouvir as árvores se agitando numa ventania, sentir o cheiro da chuva, ver o céu azul de verdade, ver estrelas como há muito tempo não vejo. Mas sonhos servem para isso, para tornarem a realidade um pouco menos aterrorizante, pelo menos por um momento. Viver por aqui só com altas doses de soma.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
shame on me
Estou completamente preguiçosa para a leitura. Sim, eu leio legendas de seriados toscos, leio notícias relevantes na internet e leio fofocas mais-do-mesmo, leio receitas de doces e salgados, leio instruções de embalagens de café, leio itinerários de ônibus desde que me mudei, leio adesivos ridículos dos carros nas ruas, leio os avisos no elevador, leio blogs, leio e-mails. Agora, ler de verdade, a minha literatura preferida, meus poetas do coração, textos de sociologia com os quais me identifico, isso, nada eu leio. E o pior, não tenho vergonha de admitir.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
extra, extra, Lula não fala bobagem!
Já não agüentava mais! Finalmente o Lula abriu a boca para falar algo que presta... demorou, hein!
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem a união civil entre homossexuais e disse que é "hipocrisia" ignorar a opção sexual das pessoas.
Em entrevista exclusiva à TV Brasil, Lula disse que é favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e defendeu que tenham direito à adoção e pensão previdenciária.
Ele criticou os políticos que são contra essa idéia, perguntando por que aceitam os votos dos homossexuais e o dinheiro pago por eles de Imposto de Renda. "Uma coisa que me cala profundamente é: por que os políticos que são contra [conceder direitos aos homossexuais] não recusam os votos deles?"
Lula atribuiu a não-aceitação da relação entre pessoas do mesmo sexo à hipocrisia e ao preconceito. "Temos que parar com hipocrisia. Tem homem morando com homem, mulher morando com mulher, e muitas vezes vivem bem, de forma extraordinária. Constroem uma vida juntos, trabalham juntos, e por isso eu sou favorável. Por isso, eu acho que nós temos que parar com esse preconceito."
Segundo o presidente, todo brasileiro tem o direito de viver da forma que quiser, contanto que respeite a Constituição."
*notícia da bolha
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem a união civil entre homossexuais e disse que é "hipocrisia" ignorar a opção sexual das pessoas.
Em entrevista exclusiva à TV Brasil, Lula disse que é favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e defendeu que tenham direito à adoção e pensão previdenciária.
Ele criticou os políticos que são contra essa idéia, perguntando por que aceitam os votos dos homossexuais e o dinheiro pago por eles de Imposto de Renda. "Uma coisa que me cala profundamente é: por que os políticos que são contra [conceder direitos aos homossexuais] não recusam os votos deles?"
Lula atribuiu a não-aceitação da relação entre pessoas do mesmo sexo à hipocrisia e ao preconceito. "Temos que parar com hipocrisia. Tem homem morando com homem, mulher morando com mulher, e muitas vezes vivem bem, de forma extraordinária. Constroem uma vida juntos, trabalham juntos, e por isso eu sou favorável. Por isso, eu acho que nós temos que parar com esse preconceito."
Segundo o presidente, todo brasileiro tem o direito de viver da forma que quiser, contanto que respeite a Constituição."
*notícia da bolha
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
afinidades eletivas
É preciso esclarecer, eu só abro a veja online por causa da coluna do Mainardi. E achei este teste aqui, para saber quais candidatos pensam igual ao eleitor. Se o teste indicou Soninha e Maluf é porque eu realmente devo anular meu voto, será muito mais útil... claro que vou anular de qualquer jeito!
domingo, 14 de setembro de 2008
só por hoje'

Dizem por aí que somos o único animal racional. Conversa mole. Racionalidade é como um chapéu, que coloca e tira da cabeça obedecendo algumas regrinhas de etiqueta. As pessoas poderiam voltar a usar chapéu, esconde a feiúra e é elegante. Minha racionalidade ameaça ir embora para dar lugar ao meu lado completamente idiota. É que ultimamente tenho sentido muita vontade de fumar. Parei há pouco mais de três anos, e desde então sempre senti vontade. Pois não era daquelas fumantes que acendem um cigarro enquanto fazem qualquer coisa e fumam sem prestar atenção. Ao contrário, sempre gostei muito de fumar, era um momento de introspecção acender o cigarro e fumar calmamente. Felizmente, após algumas tentativas, consegui parar. Foi uma boa decisão e não me arrependo. Agora essas vontades voltaram de forma mais intensa e insistente. Não quero e não vou sucumbir ao vício, entretanto, tem sido cada vez mais desconfortável administrar essas vontades, por mais que eu saiba que elas são passageiras e muito menos violentas que crises de abstinência. Tenho uma lista enorme de motivos altamente razoáveis para passar longe de um cigarro pelo resto da vida, mas um único motivo, um impulso, uma coisa completamente idiota me faz querer jogar tudo para o alto e me envenenar de novo com mais de 4000 substâncias tóxicas que vão me deixar mais pobre, doente e fedida e que farão o mesmo com a pessoa que mais amo. A própria crença na racionalidade é uma prova de nossa estupidez.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
pelos poderes de Greyskull


Existem coisas que ainda me assustam. Esta metamorfose cheia de testosterona da Rebeca Gusmão trouxe algo de bom para ela, além de muitos pêlos, um gogó e músculos de um lutador de telecath? Pois nem nadadora profissional ela pode ser agora... Será ingenuidade ou burrice alguém fazer isso com o próprio corpo e achar que nenhum teste antidoping vai acusar nada? É no mínimo bizarra a coisa toda...
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
tiazona
As beeshas estão enlouquecidas para comprar ingressos para o show de Madonna. Até vaiaram os velhinhos na fila que estavam usando (ou abusando) o direito ao atendimento preferencial. O irônico da coisa é que daqui pouco tempo, talvez na próxima apresentação dela, a própria Madonna poderá usar a fila de idosos.

