terça-feira, 9 de dezembro de 2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

"alunos brigam, depredam escola e apanham da PM"

Esta notícia me fez lembrar porque sempre rejeitei prontamente a idéia de ser professora. Afinal, com diproma de cientista social, não me sobram muitas opções, e dar aulas é uma das mais aceitas pelos dipromados. Para adiar minha saída da faculdade, e consequentemente adiar a decisão do que fazer da vida, optei pelo curso de licenciatura, afinal, era de graça e ainda podia usufruir da carteira de estudante por mais dois anos. Precisei cumprir algumas intermináveis e dolorosas horas de estágio em escolas. Fui a uma escola pública perto de casa, e como a professora de sociologia daquela escola mais faltava do que comparecia às aulas, tive que assistir as aulas de outros professores, senão, acho que ainda não teria cumprido as horas/aula. Ao conversar com os professores, eles foram unânimes em desaconselhar a docência, diziam para eu desistir da idéia de dar aulas, pois não valia a pena, os alunos eram mal educados, não estavam interessados em aprender e eu que fosse procurar outra coisa que a escola não era lugar. De certa forma, esta visão dos professores e a tentativa de dissuadir qualquer aspirante à carreira contribuiu para redigir a proposta de curso que precisava fazer no final da licenciatura. Enquanto meus colegas falavam em ensinar sociologia clássica, como se aqueles analfabetos funcionais do ensino médio pudessem entender Weber, escrevi um dos trabalhos mais sinceros que fiz na faculdade. Minha proposta de curso era tentar ensinar aos alunos um pouco do panorama sócio-econômico, falar de desemprego, setor de serviços, mercado de trabalho. Uma proposta cínica e sincera de mostrar aos alunos que ao sair do ensino médio eles iam se deparar com o desemprego decorrente da sua má-formação educacional. Lembro que o professor pareceu surpreso, talvez não era o tipo de trabalho que ele estava acostumado a ouvir, no fim do curso ele me deu oito, aí quem ficou surpresa fui eu. Sei que seria uma péssima professora, desinteressada, que não perderia uma oportunidade para faltar, não me preocuparia se os alunos estariam aprendendo, iria subestimar a inteligência deles. As escolas estão muito ruins, e acho que a culpa é de todo mundo, do governo que não investe como deveria, dos professores mal formados e mal pagos, dos pais dos alunos que não se interessam pela qualidade das escolas, e acham que é função da escola educar seus filhos, dos próprios alunos que não se dispõem a fazer algo por eles mesmos. Pelo que sei, a situação das escolas particulares não é muito melhor, pois a má formação dos professores é praticamente a mesma, os alunos são irritantemente mal educados, pois tratam os professores como empregados (e tratam a empregada doméstica como escrava), os pais não aceitam que a escola forneça autoridade, pois eles mesmos não o fazem. Daí percebe-se o progressivo baixo nível das universidades públicas e das particulares renomadas. Falam que o Brasil já começa a sofrer com escassez de mão-de-obra qualificada... tudo tem um começo...

terça-feira, 4 de novembro de 2008

em 2010


Esta é a melhor definição de Dilma Rousseff que já li. rs.
"Por mais que eu me esforce, por mais que eu tente me desfazer de meus preconceitos, sou incapaz de imaginar como os eleitores poderiam votar em Dilma Rousseff. Ela tem aquele ar impaciente de funcionária pública que se recusa a aceitar nosso documento porque a cópia tem de ser autenticada, e que aguarda ansiosamente a saída do trabalho para poder fazer sua aula de rumba. Imagino que Lula saiba que uma candidata dessas nunca será eleita."

terça-feira, 28 de outubro de 2008

é uma festa

Os candidatos se qualificam em o ruim e o pior. Cabe aos americanos decidir quem é quem...

"Venceu dois dias atrás o prazo para Barack Obama contestar a lista de declarações apresentada a um tribunal da Pensilvânia pelo advogado democrata Philip J. Berg. De acordo com o artigo 36 do Código de Processo Civil americano, a falta de resposta equivale a uma admissão de que as declarações são verdadeiras. Legalmente, portanto, Obama confessou que nasceu no Quênia, que não é cidadão americano nato e que não tem o direito de se candidatar à presidência.

O Comitê Nacional Democrata, acionado no mesmo processo e sujeito ao mesmo prazo, também admitiu, por omissão, que escolheu Obama sem verificar sua nacionalidade e que a candidatura dele é inválida.

Verifiquem em www.obamacrimes.com, o site de Philip J. Berg.

Só falta agora o juiz R. Barclay Surrick emitir a sentença declaratória confirmando o vencimento do prazo e as conseqüências judiciais disso para a candidatura Obama. Philip Berg ingressou na corte hoje, quarta, com um pedido de julgamento sumário para esse fim.

A candidatura Obama parece portanto estar fora da lei há dois dias, e nem uma palavra a respeito saiu nos maiores jornais e canais de TV. É uma barragem idêntica à que protegeu Luís Inácio Lula da Silva contra a revelação de seus compromissos com o Foro de São Paulo – com quatro diferenças: (1) As conseqüências, em escala mundial, da farsa midiática nos EUA são de gravidade incomparavelmente maior que a do ocorrido no Brasil. (2) No Brasil não houve ninguém com a dose de testosterona de Philip J. Berg para furar o bloqueio na Justiça; (3) No Brasil o bloqueio de notícias sobre o Foro de São Paulo foi total, só rompido por mim na minha coluna de O Globo – logo suprimida pela nomenklatura, é claro –, enquanto nos EUA o processo movido por Berg teve alguma divulgação no rádio, em jornais regionais e na internet, isto é, nas parcelas da mídia não dominadas pelo establishment esquerdista. (4) O apoio do eleitorado americano a Obama nem de longe se compara à quase unanimidade da devoção nacional a Lula: embora dispondo de recursos financeiros esmagadoramente superiores aos do adversário, embora imunizado contra a revelação dos fatos pela grande mídia, e embora use de todos os meios lícitos e ilícitos para impor sua invencibilidade absoluta – incluindo intimidação e agressões físicas, chantagem racial e farta distribuição de títulos de eleitor falsos –, Obama está, na média das últimas semanas, com apenas quatro ou cinco pontos percentuais acima de McCain.

No dia em que venceu o prazo de contestação no processo Berg versus Obama, o jornalista Andy Martin abriu na Suprema Corte do Havaí um processo pedindo que seja divulgada pela Justiça a certidão original de nascimento de Barack Obama. Instantaneamente, Obama suspendeu sua campanha eleitoral e viajou às pressas para o Havaí, alegando urgência de visitar sua avó doente. O curioso, no caso, é que a avó já tinha saído do hospital uma semana antes, sem que durante o período de sua internação Obama mostrasse a menor pressa de visitá-la. Martin é um tipo folclórico, com fama de litigante compulsivo, mas isso não torna menos temível para Obama a eventualidade de ter de exibir no Havaí o documento que ele se esquivou de mostrar ao tribunal da Pensilvânia (v. meu artigo em http://laiglesforum.com/2008/09/28/322/). Uma cópia da petição de Martin pode ser lida em http://citizenwells.wordpress.com/."

Texto: Olavo de Carvalho, de 23/10, aqui.

sábado, 25 de outubro de 2008

vergonha alheia

Existem muitas formas de passar o tempo. Minha preocupação era acompanhar as atualizações do JFK para saber o quanto de atraso teria. Eu poderia passar o tempo retomando a leitura de Madame Bovary e olhar o computador de vez em quando. Não, pra quê? A tentação de fazer algo inútil é sempre maior, por isso matei o tempo no orkut. É quase um karma, o usuário pode excluir a conta, mas ela fica lá, em stand by. Percebi que o orkut tem mais graça quando você não participa, então adquire um certo distanciamento ao ver fotos constrangedoras, ler recados babacas... Claro, tudo isso fica mais engraçado quando se trata de pessoas conhecidas, ver como elas expõem aquele lado ridículo que todo mundo tem. Adoro perfis de casal com filho, vira aquela suruba de identidade, ninguém sabe mais quem é quem. Adoro fotos de aniversário, com o bolinho na mesa, dá pra ver a louça pra lavar na pia, o azulejo de gosto duvidoso. Fotos de casamento são muito boas, a pessoa gritando "eu tenho marido!". Me divirto lendo depoimentos e vendo como as pessoas se traem nas palavras, nos recados cafonas. O povo viaja pro estrangeiro e faz questão de colocar só fotos tiradas na viagem, "eu estive lá", nada mais pobre. As pérolas do orkut são bem fraquinhas perto de toda a cafonalha que vi de parentes, amigos, conhecidos, ex de toda espécie. Pensando bem, não é muito difícil entender porque o orkut fez tanto sucesso entre os brasileiros, nunca nos livraremos do provincianismo de se exibir na praça em frente à igreja, com a roupa de passeio, e pretender que os outros creiam que somos felizes e bem sucedidos. Nossa cordialidade vazia de significado, onde as relações só fazem sentido no "espaço virtual", mas que inexistem no mundo concreto porque simplesmente não sabemos agir nele.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

moralismo à brasileira

A essa altura, na campanha eleitoral em SP não se fala em outra coisa, a não ser na campanha da Marta que faz perguntas se o Kassab é casado, se tem filhos, tacitamente sugerindo sua homossexualidade. Várias vozes se levantaram em repudio à campanha, censurando o preconceito, a estratégia "tiro no pé" da Dona Marta, que deve perder a eleição. Todos dizem que a vida particular de um político nada interfere ou acrescenta para a vida pública, e muito blábláblá politicamente correto. Duas coisas: já tá combinado, o Kassab é viado (ih, rimou!). E daí se ele é beesha? Pode ser um bom prefeito, relaxa e goza, gente! Não defendo a Marta, mas defendo a idéia de que a vida particular de um político interessa sim aos eleitores. E se o sujeito espanca a mulher, e se ele abusa da enteada, se ele chuta cachorro, se enfiou a mãe no asilo? Pode ser um crápula na vida particular que basta ser um administrador competente? Estamos na esfera da democracia representativa, e escolha é quase que inteiramente baseada em carisma pessoal do que em competência (se não, o semi-analfabeto do Lula, que não tem escolaridade para varrer a rua e nem experiência administrativa para ser síndico, não seria presidente). Adoramos saber da vida particular de nossos vizinhos, dos atores das novelas e por que não dos políticos que interferem bem mais na nossa vida?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

alegria enlatada

Poucas coisas me deixam mais desconfiada que pessoas felizes demais. Às vezes sinto um pouco de medo de gente assim, evito ficar por perto. Parece alguma doença contagiosa, a pessoa tá lá, rindo e se sacundindo o tempo todo, achando que sua alegria é contagiante, que ilumina a todos por onde passa. Estas pessoas sempre me causam muita desconfiança, fico pensando no que elas tentam esconder por trás de tanta alegria de plástico, tanto sorriso de bolso e risadas falsas. Acho que gente feliz de verdade tem até um certo pudor de mostrar isso para todo mundo. E gente feliz de verdade não procura convencer os outros da sua felicidade, ela sabe e isso já basta. Gente feliz trata bem todo mundo e não briga com os outros por pouca coisa. Além de não viver com aquele bom humor de comercial de margarina o dia inteiro. Pessoas felizes demais dão medo, e uma pontinha de pena.