terça-feira, 27 de novembro de 2007

noite feliz

Não sei se é especificamente neste ano, ou só neste ano que comecei a reparar nisto, fato é que o Natal chegou muito cedo! Entendo que o comércio venha empurrar o espírito natalino logo após o feriado de outubro, é melhor gastar seu péssimo-terceiro logo no shopping, antes que o consumidor vá quitar suas dívidas do natal passado. Se fosse só isso eu entenderia e apoiaria. Mas parece que todas as pessoas já estão com a cabeça na noite feliz. Muitas casas, sacadas e janelas... todas decoradas com aquelas luzinhas irritantemente piscando, compradas na 25 de março, milhares de bonecos de papai noel subindo a escada, de pára-quedas, com renas, sem renas, com saco, sem saco... É uma cafonalha sem tamanho. Fico pensando, será que este ano foi tão mais horrível que os outros, para as pessoas já estarem vivendo no final de dezembro? Particularmente, o Natal me deprime, ainda não me livrei das memórias infantis daquelas horas em família, sem nenhuma outra criança por perto, todo mundo falando mal da família enquanto come e bebe, até que alguém se excede na bebida, e dá vexame, ou quer discutir com alguém que lhe sacaneou o ano todo, aí todo mundo fica constrangido e finalmente vai embora, para meu alívio. Enfim, um natal em família típico. Tomara que este demore muito para chegar. Fico com meu querido Nelson Rodrigues: o Natal é um orçamento.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

negativas ou assertivas

Nunca diga nunca. Não cospe pra cima que cai na testa, e outros ditos populares, que dizem da forma mais simplória para não decidir que não fará certas coisas, porque, nunca se sabe... Bom, não sei se concordo, o que não faz diferença. Mas pensei numa pequena lista de coisas que não pretendo fazer antes de morrer, talvez depois, o que também não faz diferença. Aquelas listas de coisas a fazer antes de morrer, parecem muito bonitinhas no papel, tem até aquele filme feito pra chorar, que trata sobre isso, chamado Minha Vida Sem Mim. Ei-la:
+ participar de uma micareta
+ ficar bêbada com cerveja
+ usar vestido de noiva
+ virar loira
+ praticar alguma religião
+ visitar Cuba
+ ler a obra completa do Paulo Coelho
+ colocar silicone
+ correr uma maratona
+ fazer outra lista desse tipo

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

simplesmente tédio

Exatamente como qualquer outra pessoa, sou feita basicamente de tédio e intervalos de efêmera satisfação. Por algum motivo, talvez a própria preguiça, raramente fujo do tédio, parece que ao me manter entediada alguma coisa vai acontecer, alguma luz, ou mesmo uma simples resposta sobre o segredo do universo. Encarar o próprio tédio sempre me pareceu uma forma de meditação, ou de auto-conhecimento, fazer o maior esforço possível para ver aquele imenso vazio interior sem possibilidade de preenchimento. Antes achava que o tédio era apenas uma resposta a frenética vida pós-moderna, recrutando para a urgência do consumo de objetos iguais em futilidade e importância, onde a satisfação é proporcional a frustração do consumo. Mas cada vez penso mais que o tédio vem de tempos mais remotos, nossa posição no topo da cadeia alimentar nos trouxe o irremediável tédio, simplesmente não temos predadores de quem fugir pelas nossas vidas, então o que sobrou foi uma enorme falta do que fazer, do que pensar, em que nada, mas nada mesmo consegue preencher de maneira satisfatória. E meu tédio recomeça logo após encerrar este texto...

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

é disso que o povo gosta

Praticamente todos os dias eu passo um tempo em coma em frente a tv, vendo TV Fama (ok, ok!!). É um programa engraçado, daqueles de humor involuntário, tem o implante capilar do Nelson Rubens, aqueles errrres carregados, o sotaque do interios paulista, a Adriana Lessa jurando que é fina, pois quem sabe assim volta a atuar, e a Íris, que é sempre um momento de imensa vergonha alheia cada vez que ela aparece para falar alguma coisa com a mesma espontaneidade de quem aprendeu a ler recentemente. Sem contar as intervenções comerciais da Tecnomania, com o Juarez que já virou mais um apresentador do programa. Bom, eu não sei se o programa tenta levantar o ibope, levantando uma parte da anatomia do telespectador (adorava quando o Clodovil se referia à mala como "membro"!). Pode ser a notícia da nova coloração do cabelo da atriz fulaninha-paes, ou que a valdirene-lima foi vista na festa sem o belo, aí enche os 90 segundos de notícia com todas as fotos permitidas para o horário de ensaios da fulaninha semi-nua. Sempre acheia que o público alvo do programa era o mulherio classe C e D, enquanto cuida dos pequenos Jéfesso e Jênife. Mas acho que não, o público do programa deve ser masculino, seja os adolescentes que nem precisam de estímulos para ficar no banheiro, e dos cabra-macho que ficam vendo TV porque acabou o dinheiro para ficar no boteco. Adoro ouvir a "bomba do dia" todo início de programa!