insanidade auto-induzida?
Existem momentos em que é difícil precisar a fronteira da insanidade, nunca se sabe se esta já foi transposta, por quantas vezes, ou se já foi para o "lado de lá". Meu mais recente sintoma de insanidade acontece com mais freqüência que eu gostaria, certamente. Pois durante um segundo, ou até menos que isso, ao estar na convivência de pessoas muito próximas eu sinto nitidamente que não conheço tal pessoa. Não é aquele estranhamento do inconsciente, a certeza de que a outra pessoa é um mistério, e de que podemos viver 130 anos que jamais vamos nos conhecer inteiramente. Não, é algo muito mais raso e imediato. É não reconhecer a fisionomia da pessoa, como se fosse a primeira vez que estivesse vendo, ou como se fosse aquela mulher que sentou do meu lado no ônibus em 2004. Aí eu olho e penso, quem é você? O que estou fazendo conversando com você? Tudo acontece num lampejo, e fico um tempo a mais meio desnorteada. Às vezes fico com medo disso acontecer com tanta freqüência até não reconhecer mais as pessoas. Ao mesmo tempo sempre achei que uma vida sem memória é muito mais fácil e cômoda, pode-se cometer os mesmos erros sem se preocupar em acertar jamais, e sem se cobrar por todos os erros já cometidos. Como já disseram, o segredo de uma vida bem vivida é ter uma péssima memória, mas no meu caso, nem tanto...

