segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

bom gosto eclipsado

(Turn around) É normal se sentir decadente ouvindo Total Eclypse of the Heart (Turn around, bright eyes
Every now and then I fall apart),
dentro de um ônibus, sexta-feira, por volta de 19h, trafegando pela rua da consolação? E se emocionar com a música,(And I need you now tonight) é decadente? Sentir os pelinhos do braço arrepiarem com os gritos agonizantes da Bonnie Tyler (I really need you tonight... ) lembrar de quando assistia Os Piores Clipes do Mundo (outro traço de decadência, eu era jovem) e passou o vídeo no programa, lembrar de ouvir a música nos anos 90 no programa da rádio Cidade, é decadente? Continuar se emociando, (Once upon a time I was falling in love But now I'm only falling apart) olhando para o cemitério da consolação... A pessoa passa a vida tentando se educar com livros de qualidade, filmes de conteúdo, música boa, vai a museus de arte, museus históricos... consome toda a arte que está ao seu alcance, achando que assim pode pleitear um pouco de bom gosto na sua estante... e acaba se emocionando com a cafonice de pior espécie que a década de 80 conseguiu produzir, o que virá depois, as ombreiras, Beto Barbosa, Kaoma?? (Nothing I can say A total eclipse of the heart)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

calhambeque, bi-bi

E a cidade de São Paulo chegou ao fantástico número de 6 milhões de veículos! Os congestionamentos diários são praticamente uma atração turística! Sinal do desenvolvimento, progresso e riqueza da cidade. Ou mais um item que torna a vida por aqui insuportável. Sim, se eu pudesse, não moraria aqui jamais, iria para algum lugar onde o contato humano fosse mais raro, misantropa que sou. A impressão que tenho, de uma observação parcial e relapsa, é que as pessoas por aqui a-do-ram um congestionamento. E não estou sendo sarcástica, sério! Ficar dentro do carro é uma ótima forma de praticar a ociosidade. Não dá para fazer muita coisa lá dentro, só ficar parado esperando o tempo passar. Deve ter, em algum lugar, algum estudo sobre os prejuízos causados pelos congestionamentos, sobre o quanto as pessoas deixam de trabalhar, ou desempenhar outras tarefas quando "presas no trânsito". Ouvi sobre isso em algum lugar, deve ser dado do Ipea (não estou a fim de procurar). Enfim, na minha visão distorcida das coisas, o paulistano médio gosta de passar horas da sua vida preso num mar de carros, dentro do objeto mais caro que possui, pago em 72 meses, porque essa é a forma mais eficiente de ficar sem fazer nada, de se atrasar para compromissos e outras desculpas socialmente aceitas.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

quem veio pra ficar?

As relações têm prazo de validade? Algumas parecem imperecíveis, enquanto outras claramente têm data para acabar. Exemplo mais claro disso são as amizades escolares. Você vê a pessoa todos os dias, conversam, a pessoa sabe tudo de você, e você dela, saem juntas aos finais de semana... aí o curso acaba, tenta-se manter contato por telefone, marcam de se encontrar (após vários cancelamentos). E no início da separação a coisa flui como antes, depois tudo parece meio forçado, artificial, a espontaneidade fica reprimida, aquela pessoa com quem tinha-se tanta intimidade, se transforma num estranho em seis meses. Não entendo como isso acontece, ninguém muda tanto em pouco tempo, os interesses, gostos e humores são mutáveis com o tempo, claro, mas não acho que isso explica. Talvez essas pessoas que passam por nossas vidas sem ficar, cumpriram um determinado papel e foram embora, e também somos assim na vida dos outros. Por aquele período de tempo a amizade, o apoio mútuo foram essenciais para se manter, depois de cumprirem seu propósito, deixaram de existir. E as relações eternas? As pessoas caminham pelo tempo na mesma direção, por isso caminham juntas? Não sei dizer, minha amizade mais longíqua existe há nove anos, tudo indica que será assim ao longo da vida, então, quando ficarmos velhinhas talvez eu possa responder a isso.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

homofobia: medo de si

"Eles não são culpados de ter nascido com gostos diferentes, assim como ninguém tem culpa de ser coxo ou bem feito de corpo. Aliás, quando um homem confessa que nos deseja, diz-no, por acaso, uma coisa desagradável? Evidente que não; é um cumprimento que ele nos faz; por que, pois, responder com injúrias ou insultos? Só os imbecis pensam assim, nunca um homem razoável dirá coisa semelhante. Isto acontece porque o mundo está povoado por idiotas que se julgam ofendidos quando a gente os considera apto para o prazer e que, mimados pelas mulheres, sempre ciumentas de seus direitos, imaginam ser os Dom Quixotes desses falsos privilégios, brutalizando aqueles que não os reconhecem." (Cavalheiro de Mirvel, em diálogo com Madame de Saint-Ange. La Philosophia dans le boudoir, Marquês de Sade)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

roupa suja se lava em casa

Presenciar brigas de casal é uó! Nunca sei como me comportar, se fico com cara de paisagem, tipo "não está acontecendo nada", se levanto e vou embora (nem sempre dá para fazer isso, especialmente se o casal está brigando na minha casa e não mora lá, ou no carro onde estou), se interfiro na briga, mandando calar a boca (tenho sempre vontade de fazer isso) porque não sou obrigada a presenciar aquilo. Afinal, se em briga de casal ninguém mete a colher, por que brigar na frente dos outros? Nada mais injusto, não pode interferir porque não me diz respeito, mas ninguém me respeita na hora de iniciar um bate-boca. Alguns casais são sem noção mesmo e acham que todo lugar é lugar de armar o barraco, outros devem pensar que têm intimidade para lavar a roupa suja na minha frente, mas nunca há - e nunca haverá - intimidade o suficiente que permite (ou justifique) trocar ofensas com a cara-metade quando eu estiver presente. Claro que esperar um pouco de bom senso de pessoas assim é pedir o impossível, pois é só prestar atenção no motivo da briga, nos argumentos usados, e logo entender que eles não têm respeito pelos demais, porque o respeito mútuo se foi há muito tempo. Enfim, é sempre uó, desagradável, constrangedor acompanhar como espectadora tal atração circense. Será que se eu tirar cópias desse texto e distribuir quando presenciar uma briga eles vão brigar longe de mim?