Acho casamento uma coisa muito
kitsch! Nada contra a instituição matrimonial, abaixo o evento-casamento. Como disse minha sábia amiga, é como viver um dia na Idade Média. Noiva com vestido medieval, branco (no medievo a moda era vermelho, mas aí uma certa rainha da Inglaterra usou branco e foi tendência), e não incomum com uma pronunciada gravidez de 6 meses. Véu, grinalda, bouquet, muita informação, aquela maquiagem já oleosa. Música de algum filme da Disney para a entrada da noiva. Nessa hora eu gosto de olhar a decoração da própria igreja, aquelas pinturas bonitas, cenas do calvário, figuras de um homem ensangüentado, torturado... e a noiva entrando, a tia velha chorando. Pausa para a cerimônia, senta, levanta, senta... vontade de entrar em coma! A cerimônia acaba, aquele semi-tumulto na porta da igreja, parece porta do metrô estação Sé. Começa quase a Corrida Maluca para chegar ao local da recepção, todo mundo quer entrar primeiro, sentar logo e comer, beber, beber. Todos os convidados acomodados, já com copos na mão, os noivos entram, a noiva está mais oleosa que nunca, cadê o pó? Comida e bebida invariavelmente de qualidade duvidosa são servidas, e a música tocando... às vezes Kenny G, ou pagode, ou Ana Carolina... já Roupa Nova fica para quando a festa atingir níveis etílicos adequados para as tias velhas se soltarem na pista de dança, que geralmente é providenciada arrastando as mesas. Antes ou depois das tias velhas alcoolizadas chega o momento de maior constrangimento para mim, aquele de passar a sacolinha, ou a gravata do noivo, e mais ralé ainda o sapato da noiva. Momento de faturar uns trocados, que já virou orçamento previsto da festa. Para casórios de noiva embuchada, considero o mais adequado um pacote de preservativos, pois planejamento familiar antes tarde do que nunca, ao invés de dinheiro que sabe lá como será gasto! Felizmente eu nunca vejo uma festa de casamento deste ponto em diante, não vejo a valsa dos noivos, o corte do bolo, a qualidade dos docinhos, a distribuição de bens-casados e outros vexames alcóolicos. Tenho a felicidade de sair da festa até antes dos noivos (que devem ir contar o dinheiro arrecadado). Tá certo, tudo é uma questão de satisfação pessoal, realização de um sonho e blábláblá, tudo bem querer ser tradicional, mas custa muito freiar impulsos cafonas nesse momento?
*Meu sonho de casamento perfeito não contém nenhuma cerimônia religiosa, afinal, seria meio estranho, já que não pratico nenhuma delas, também não tem festa, pra que alimentar pessoas que sairão falando mal, como esta que escreve? Adorei a idéia, que ouvi há poucos dias, e foi crescendo na minha cabeça, de realizar um casamento no cartório, sem uma data pré-marcada, com testemunhas arranjadas ali na hora... tão bom comunicar às pessoas a mudança de estado civil conjugando o verbo no passado, "eu me casei ontem/há 3 dias/semana passada... eu sei, você não foi, é porque não precisava". Luxo.