quinta-feira, 29 de maio de 2008

variedades inúteis

Essa história da menina que voou pela janela parece uma gripe: quando você respira aliviado pensando que já passou, ela volta com força total te derrubando na cama. Aí recebo um e-mail informativo do NAU com o novo blog, e logo na mensagem já convida o leitor a ler o texto que a Sylvia Caiuby escreveu sobre... a menina que foi atirada janela afora. A Sylvia Caiuby tem pinta de caminhoneiro, fala como caminhoneiro, se veste como caminhoneiro. Deixa Pedro e Bino parecendo duas moças do século XIX que lêem romances, tocam piano e falam francês. Sylvia Caiuby parece uma Dilma Roussef acadêmica, e esta é igualmete caminhoneira. Entretanto, a Sylvia escreveu um texto bacaninha (é, não tinha adjetivo mais infeliz pra escrever) comparando os elementos da história pseudo-policial presente com os contos de fada, com madrastas malvadas, mães omissas e pais idiotas. Eu sou uma apreciadora destes contos, tenho livros dos irmãos Grimm, e gosto da forma como folclore medieval e psicanálise convergem nestas histórias. Já o NAU comporta todas as pesquisas antropológicas inúteis, bizarras e desnecessárias que o mundo acadêmico oferece, mas com sérias restrições orçamentárias. No geral eles fazem "pobrelogia", e dão nomes politicamente corretos como festa popular, religião popular, comunidades carentes, etc. É o que eu chamo de síndrome de Lady Di, que tinha cara de sonsa, ia passar a mão na cabeça de pobre que tinha perdido a perna em minas, e depois voltava para sua vida confortável com sua consciência sonsa em paz.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

não quero

Sabe quando dá aquela tristeza, que de tão profunda chega a perder o contato com o motivo que a originou. Aquela tristeza que parece um buraco-negro, vazio, sem fundo e incapaz de serpreenchido. A tristeza que faz tudo perder a graça e o sentido, como se a vida tivesse começado e acabado ali naquele instante. É, faz tempo que não sentia isso, já nem me lembrava que existia. Um momento de resgate de um passado nada agradável, em que se sentir assim era quase "normal" e cotidiano. Não quero mais isso, obrigado.

terça-feira, 20 de maio de 2008

stuff on my cat


Um bom site para apreciar expressões felinas de perplexidade, irritação, resignação e profunda paciência com a espécie humana.
E este é o Giló, que não achou graça da brincadeira...

quarta-feira, 14 de maio de 2008

gente como a gente

De bobeira e esperando as unhas secarem, estava dando uma olhadinha do portal Bloglog. Basicamente com estrelas globais (e aspirantes) de todos os escalões. Eu sei, não dá para esperar muito de blogueiro, ator da Malhação, ou da novela das seis. Fico me perguntando se o Nelson Rodrigues estivesse vivo se ele escreveria um blog, ou a Clarice Lispector... tá, voltando ao mundo real e infelizmente, possível, a página principal do bloglog é cheia de frases editadas, e retiradas sabe-se lá de qual contexto (eu que não vou ler um por um, a comunidade do orkut sobre gatos de apartamento tem me sido mais útil), que são a carinha da Globo, deve ser o que chamam de Padrão Globo de Qualidade, que consegue transformar qualquer um em perfeito idiota (no caso dos blogueiros da globo isso não é uma tarefa difícil), assim já disse o Lima Duarte numa entrevista para a Folha, anos atrás (muito boa a entrevista, disse que trabalhava na globo porque as outras eram ainda piores, achava abominável o elogio à ignorância que o Lula faz), aliás, o Lima Duarte não posta do bloglog, uma pena... mas quem quer saber dele quando temos o Dado Dolabella? Com direito a letra de música, será composição própria? "Vejo falsos profetas, com falsas promessas algemando o pensamento". Muito bom! Tem até a Hebe Carmargo, impressionante, ela é rica faz um tempão, mas não perde o espírito de pobre, abre aspas: "Ontem, dei uma festa, inaugurando uma nova ala em minha casa, com uma sala de TV, espaço gourmet, uma adega, e na parte superior, um deck com hidromassagem e uma tenda." Podia disfarçar que não foi o assessor que escreveu... mas é pedir demais, imagino ela mesma blogando, mais ou menos como estou fazendo agora, só que sem a tenda, claro. Assim como outros que visitei, tem mais cara de atualização de assessor que tudo. O resto é para postar fotos de atores saídos da Malhação que agora podem viajar para o exterior, porque conseguiram um contrato melhorzinho, até o Miguel Falabella, que não é grande coisa, mas está acima da média por ser autor/roteirista e tal, tem o blog bem xexelento, não que ele devesse investir todo seu potencial literário do bloglog... enfim, quando escrever bem é um hábito, isso é transportado para todos os cantos em que se pode escrever. Mas como paciência é um material escasso na minha personalidade, a exploração do Bloglog não durou muito, como era de se esperar, evidentemente.

sorte

Não posso reclamar, pois nesse ponto eu tenho sorte: ninguém se mete na minha vida, dá palpites ou faz comentários indiscretos. No momento não há ninguém para quem eu precise e/ou queira dizer: cuide da sua vida e não da minha. Se o povo comenta, é longe dos meus ouvidos, e isso é ótimo. Talvez seja minha cara de brava (e mais frequentemente de tédio) que afugenta o povo que adora dar "conselhos" sobre a vida alheia. Tenho sorte e sou muito grata por isso, mas não me iludo, pode aparecer gente sem-noção a qualquer momento!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

mais do mesmo

É assustador. São Paulo, 23h, temperatura 14°C e um bando de zé-ruela na rua só para xingar duas pessoas acusadas de homicídio. Se a patuléia se mobilizasse assim contra o preço do arroz+feijão... É insano o que vou dizer, mas chego a torcer pelo "vilão" da história. Quando as coisas chegam num ponto em que os "defensores" da justiça são mais bárbaros que os criminosos, estes já não parecem tão bestiais como no início.
(às vezes queria ser como Gregor Samsa, e acordar como uma barata, deve ser mais digno que pertencer a uma espécie de seres tão primitivos)

segunda-feira, 5 de maio de 2008

precisa-se

Às vezes é útil ter na família certos profissionais, se não for para contratar os serviços deles, pelo menos serve como consultor. Tem a tradicional tríade médico-engenheiro-advogado, já que de um jeito ou de outro a maioria precisa de algum deles, nem que seja uma única vez na vida. Pode ser útil um parente arquiteto, para dar uns palpites naquele puxadinho, ou na reforma do living. Ou mesmo alguém que realmente entende de informática, para consertar as cagadas de todos os outros que xeretaram antes. Já sociólogo ninguém precisa na família (e na sociedade também), ninguém precisa dos seus conhecimentos sobre sociologia, dinâmica cultural, relações inter-raciais, seu entendimento sobre história e política... Ao contrário, qualquer mané vai achar que o taxista entende melhor do cenário econômico internacional do que você, pobre idiota, que perdeu alguns anos de sua vida estudando algo inútil. Qualquer botequeiro semi-alcóolotra acha que faz uma análise sobre a violência na sociedade brasileira melhor que você, e a opinião mais etilicamente elaborada é: tem que ter pena de morte no Brasil. Particularmente minha família nunca se interessou em ouvir minhas opiniões sobre estes temas - eles acham que sabem o bastante - da minha parte também nunca me preocupei em corrigir suas bobagens históricas e políticas ao ouvir as conversas. Eu levo a sobremesa e eles elogiam minha torta de morangos, e entre uma garfada e outra falam que a ditadura podia voltar para dar um jeito nas coisas. Pronto, encontrei meu lugar na dinâmica familiar.